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A finalidade do blog SURDO HK é divulgar o trabalho de ensino especializado e os projetos desenvolvidos por profissionais que atuam na Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller - EMEBS HK - São Paulo - Brasil.

Municipal Deaf Bilingual School Helen Keller – EMEBS Helen Keller – located in São Paulo City, SP, Braz

SOBRE NÓS...

Nossa história começou em 13 de outubro de 1952, a primeira escola pública de São Paulo a atender crianças surdas. Começamos em Santana, mudamos para o Ipiranga e nos estabelecemos no bairro da Aclimação em 1956.
Nestes 64 anos, presenciamos as transformações educacionais, linguísticas e culturais da Comunidade Surda Nacional, percorremos sua história, do oralismo ao bilinguismo.
Protagonizamos movimentos em defesa da educação para surdos, vivenciamos suas lutas e vitórias.
HISTORICAMENTE, a EMEBS HK transcende o Educacional, é um ESPAÇO SURDO legitimado pela comunidade surda e lideranças nacionais, palco de importantes eventos, discussões e deliberações políticas pelos DIREITOS DOS SURDOS.
Com o Decreto nº 52.785 de 10 de novembro de 2011, passamos de Escola de Educação Especial para ESCOLA DE EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS e sobre esta concepção de ensino, a nota técnica nº10 do Programa Mais Educação de São Paulo, AFIRMA QUE... "reconhece o direito dos Surdos a uma educação bilíngue que respeite sua identidade e cultura, na qual a LIBRAS é a primeira Língua e, portanto, língua de instrução, e a Língua Portuguesa é a segunda, sendo objeto de ensino da escola na modalidade escrita."
O atendimento especializado foi ampliado sob a luz de novas legislações e hoje a EMEBS Helen Keller é uma escola voltada para educação de crianças, jovens e adultos com surdez, com surdez associada a outras deficiências, limitações, condições ou disfunções e surdocegueira.

Há pouco tempo, muitos destes alunos estavam em suas casas, excluídos do convívio educacional, e foi com muita coragem, empenho e disposição para estudos e pesquisas, que os professores da HK se especializaram ainda mais e assumiram a tarefa de receber esta demanda nas salas de surdos. É um trabalho diferenciado, pois as atividades são pensadas e planejadas individualmente; há uma ampla troca de experiências entre os professores e o compromisso em adaptar as atividades de acordo com as potencialidades e habilidades de cada aluno. As limitações não constituem uma barreira, mas um DESAFIO a ser superado!

28 de mar de 2013

Diretora Mônica Amoroso se aposenta e dedica mensagem aos amigos da Educação

A Diretora da EMEBS Helen Keller, Profa. Mônica Lemos Amoroso, encerrou em 28 de abril de 2013, seu ciclo de trabalho na da rede municipal  de ensino de São Paulo. 
Foram 30 anos de compromisso e trabalho intenso, os últimos 6 anos com a comunidade surda da EMEBS HK, relatados na mensagem escrita por ela e dedicada à todas pessoas que conheceu ao longo destes anos.
Com vocês, MÔNICA AMOROSO...

"Não acredito em despedidas. Creio em fases da vida que, por estarem acabando dão lugar a outra que chega, nova e desafiadora. Uma fase da minha vida, que é a de funcionária da Prefeitura de São Paulo chega ao fim. Aposentei. Perguntam o que sinto e minha vontade é de dizer aquele antigo clichê: missão cumprida. Não é verdade, minha missão na PMSP não foi cumprida. Cumprido foi só o tempo. Ainda há tanto por fazer...e muita gente boa, que ainda está na ativa, completará esta missão que não é só minha, mas sim dos educadores de São Paulo.
Ingressei na Prefeitura como professora de educação infantil aos 23 anos, por concurso. Filha de diretora de escola pública municipal, professora pioneira, eu tinha todos os sonhos do mundo! Sonhos de uma menina que tinha a responsabilidade de ensinar outras meninas e meninos. Era uma farra! Nesta época conheci e construí sólidas amizades que cultivo até hoje. Éramos inexperientes, mas tínhamos a alegria e a vontade de sermos professoras e isso nos trazia uma certa competência que nem nós sabíamos que tínhamos.
O tempo foi passando, recebi convites para trabalhar na Secretaria de Educação e lá fui eu enfrentar novos desafios. É claro que aprendemos muito com vários profissionais, mas a energia e a proximidade com as crianças acaba nos trazendo de volta para a escola. Foi assim que aceitei o desafio que me propôs o saudoso professor Sólon: fui preparar a escola para receber as crianças e  inaugurar a EMEI Maria Luiza Moretti Gentile, na Vila Prudente. 
Como fui feliz lá! Identifiquei-me com os profissionais, com as crianças, com a comunidade e acabei ficando na Assistência e, na ausência do Diretor, na substituição.   Como foram importantes esses dez anos de aprendizado e porque não dizer de experiência. Assim como fazem os médicos residentes “assistir” o Diretor fez com que eu aprendesse, por observação, a focar a gestão na melhoria da qualidade do trabalho. 
Tive muita sorte: aprendi com os melhores!!


Gostei muito da gestão escolar e decidi fazer o concurso para diretor de escola. Soube que a então EMEE Helen Keller estava sendo dirigida por uma diretora substituta, pois a vaga estava disponível para  escolha. Depois de uma baita briga, consegui acessar meu cargo para a HK, fato que devo ao querido professor João Gualberto, Presidente do Conselho Municipal de Educação na época e também pela Marisa, presidente do Sinesp. Fui muito bem orientada!
Um mundo completamente novo abriu-se na minha frente. Uma nova língua, pessoas diferentes.
Minha experiência com crianças com deficiência restringia-se a casos de inclusão que atendíamos na EMEI, nenhum surdo. Não conhecia a Língua Brasileira de Sinais, na qual são ministradas as aulas na escola. Muito bem. Só me restava o conhecimento que eu tinha de administração escolar, uma visão de mundo que contemplava a diversidade  e muita vontade de fazer um bom trabalho.
Foi assim que eu iniciei o trabalho na então  EMEE: procurando, entre os pais, funcionários, alunos e professores, aquilo que, no meu entendimento, precisasse de uma intervenção minha. 
Logo nos primeiros dias pude verificar que a escola, por ter sido construída a muitos anos, tinha barreiras arquitetônicas que impediam o uso de todos os espaços por parte de alguns alunos.  Com o passar dos dias e meses, fui percebendo que barreiras físicas são muito fáceis de transpor. Basta contratar um bom prestador de serviços e pronto. Mas...o que fazer com outras tantas barreiras que impedem a criança e o adulto de aprender e desenvolver-se, como todos os outros alunos?
Pois é... Essas são as verdadeiras barreiras, as invisíveis. 
Foi aí que percebi que me faltava  apoio teórico para questões do dia a dia.
Tomei uma decisão: já para a escola!
E lá fui eu fazer uma pós graduação em educação especial com foco em surdez. Curso de Libras aos sábados. Formação para professores das EMEES? Lá estava eu. Compra de livros, internet.
Aprendi muito. Inclusive que nunca vou parar de aprender!


Claro que, a duras penas, percebi que as pessoas não são fáceis, assim como eu também não sou. Senti na pele a dor ser desrespeitada por pessoas que hoje eu sei: só estavam se defendendo da sua própria insegurança. Como tudo tem um lado bom, sou do tipo que volta no dia seguinte para trabalhar com as energias redobradas. Não há baixo astral que se sobreponha à minha capacidade de superar dificuldades.
Procurei então ouvir apenas minha consciência e praticar a ética que aprendi, em primeiro lugar, com meus pais. Aprendi também a deixar claro para todos, alunos, professores e pais que o aluno estava sempre em primeiro lugar e esta postura fazia com que as coisas ficassem mais fáceis. 



























Contei com uma equipe administrativa e docente de primeira qualidade e posso me orgulhar hoje de ter feito parte desta escola tão especial.









 


Conseguimos tanta coisa em tão pouco tempo que olho agora para trás e quase nem acredito. Vi de perto o nascimento da escola bilíngue, a cobertura da quadra, da rampa, a aquisição de materiais maravilhosos, organização dos espaços, projetos inovadores, formação em serviço...e tantas outras conquistas.





























Desta forma fui sendo valorizada e respeitada cada dia mais por todos e principalmente por quem eu mais queria: pelos alunos e pela comunidade surda. Aos surdos adultos, líderes da comunidade deixo aqui meu mais profundo agradecimento. E uma promessa: contem comigo sempre, sempre!!

Aos alunos e pais, sei que poderia ter feito muito mais...infelizmente fiz apenas o que foi possível nestes poucos anos. Se eu pudesse, ahhh... se eu pudesse faria até o impossível para que a educação dos surdos atingisse os mais altos níveis de qualidade.
À minha família, obrigada pela paciência que tiveram comigo nestes anos. Agora está na hora de curtir, de colher o que plantei.

A todos os educadores que conviveram comigo desde 1984, às minhas diretoras, e em especial às Assistentes Angela e Regina meu mais profundo agradecimento. Vocês foram minhas amigas mais fiéis nesta jornada.
Valeu cada dia, cada minuto. Boa sorte a todos e espero que venham me visitar!"
Mônica Lemos Amoroso







A COMUNIDADE HK DESEJA À PROFa. MÔNICA UMA VIDA PLENA EM  FELICIDADE, SAÚDE, ALEGRIAS E SUCESSO, SEMPRE!! 

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